O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrou uma empresa na Espanha em meio ao avanço das investigações sobre fraudes no INSS que apuram eventual ligação dele com o esquema.
A companhia, chamada Synapta, teve início de operação em janeiro de 2026 e foi formalmente registrada em fevereiro no Registro Mercantil de Madri. Lulinha aparece como administrador único do negócio, que foi constituído com capital social mínimo de 3 mil euros (R$ 18 mil), conforme exigido pela legislação espanhola.
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O endereço informado pela empresa fica no distrito de Chamartín, área de alto padrão na capital espanhola. No local, funciona um escritório de advocacia especializado em assessorar empresas estrangeiras. A Synapta utiliza esse mesmo endereço como sede fiscal, prática permitida pela legislação, mesmo sem a presença física da empresa no local.
Até o momento, não há registro de atividades operacionais relevantes da companhia. Além da nomeação de procuradores legais vinculados ao escritório espanhol, não foram identificadas movimentações, o que caracteriza o negócio como uma empresa “de gaveta”, criada formalmente, mas ainda sem atuação efetiva.
Segundo a defesa de Lulinha, a empresa foi aberta dentro das exigências legais e tem como objetivo viabilizar projetos futuros no exterior. Os advogados afirmam que ele atualmente atua como pessoa física fora do Brasil, mas não detalham contratos ou clientes, alegando questões de privacidade.
A criação da empresa ocorre em um momento em que o filho do presidente Lula é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal e acompanhadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela CPMI do INSS. As investigações buscam esclarecer se houve a participação de Lulinha em um esquema de fraudes contra aposentados.
Dados obtidos pela investigação indicam que, ao longo de quatro anos, ele movimentou cerca de R$ 19,5 milhões em transações bancárias, incluindo entradas e saídas de valores próximos a R$ 9,7 milhões. Seus sigilos bancário e fiscal foram quebrados por decisão do STF, a pedido da PF, além de medida semelhante aprovada pela CPMI, posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino.
As apurações também analisam a relação de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema. Uma das linhas investigativas envolve repasses financeiros que teriam sido feitos por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga da esposa de Lulinha.
A defesa da empresária afirma que os valores recebidos têm origem em um negócio ligado ao setor de canabidiol e não possuem relação com irregularidades. Já os advogados de Lulinha confirmaram que ele chegou a viajar ao exterior com despesas custeadas pelo lobista, mas sustentam que o encontro teve caráter profissional.