A família de um dos adolescentes que chegou a ser citado – mas que não foi indiciado – no caso da morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), divulgou nesta quarta-feira (4) uma nota pública após a conclusão do inquérito do caso pela Polícia Civil. No posicionamento, enviado ao Pleno.News, os familiares reforçaram que o jovem não teve qualquer envolvimento com os fatos apurados.
– A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha, sobre fatos relativos ao cão Caramelo e outras infrações e reconheceu aquilo que sempre soubemos e afirmamos com serenidade e firmeza: nosso filho não tem qualquer relação com o ocorrido e não cometeu qualquer crime, nem contra animais, nem atos de vandalismo. Por essa razão, não foi indiciado – disseram os pais do jovem.
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Ainda de acordo com o comunicado, a confirmação de que o adolescente não participou das agressões foi recebida com alívio. Os familiares relataram ainda que, durante o período de investigação, enfrentaram semanas de forte abalo emocional, medo e pressão psicológica. Segundo o texto, a repercussão do caso gerou consequências que extrapolaram os “limites do bom senso”.
– Fomos alvos de boatos, mentiras, incitação de violência e crimes digitais que jamais deveriam fazer parte de uma sociedade que preza pelo respeito à vida de humanos e animais – declararam.
A família ressalta que reconhece a legitimidade da indignação pública diante da morte do cão comunitário, mas critica o que considera excessos e acusações sem base.
– O pânico digital, os factóides, os julgamentos sumários e o uso oportunista de tragédias destroem reputações, adoecem pessoas e colocam em risco valores essenciais ao convívio democrático. A indignação, ainda que compreensível em determinados contextos, não pode substituir a verdade e o devido processo legal – apontaram.
No posicionamento, os familiares afirmam que optaram por não reagir publicamente durante o período mais intenso da exposição, evitando ampliar confrontos, mas que pretendem buscar reparação judicial pelos danos sofridos, destacando que a medida não teria caráter de vingança.
– Buscaremos a reparação legal dos danos sofridos não por revanchismo ou rancor, mas como exercício de cidadania, transparência e afirmação de que crimes digitais e difamações não podem ser naturalizados. E, infelizmente, não foram apenas anônimos que adotaram esse comportamento. Entre os julgadores, havia formadores de opinião, da imprensa, da política e de organizações sociais – ressaltaram.
Por fim, os familiares afirmam que pretendem transformar a experiência em contribuição para o debate sobre violência digital e responsabilidade nas redes.
– Refletimos, com serenidade, sobre a possibilidade de transformar essa experiência dolorosa em algo que vá além de nós. Queremos contribuir para um debate mais qualificado sobre a violência digital, os tribunais das redes e a destruição de reputações no ambiente online. Se algo positivo puder surgir como legado de tudo isso, que seja o aprendizado coletivo – completaram.
Confira, na íntegra, a nota:
Hoje encerramos o período mais difícil de nossas vidas.
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha, sobre fatos relativos ao cão Caramelo e outras infrações e reconheceu aquilo que sempre soubemos e afirmamos com serenidade e firmeza: nosso filho não tem qualquer relação com o ocorrido e não cometeu qualquer crime, nem contra animais, nem atos de vandalismo. Por essa razão, não foi indiciado pela delegacia responsável pelas investigações. A verdade prevaleceu. Recebemos essa conclusão com o alívio de quem vê restabelecido o senso de justiça em relação ao nosso filho.
Isso não apaga o sofrimento terrível vivido. Nossa família atravessou semanas de angústia, medo, desgaste emocional e pressão psicológica. Fomos alvos de boatos, mentiras, incitação de violência e crimes digitais que jamais deveriam fazer parte de uma sociedade que preza pelo respeito à vida de humanos e animais. A indignação social contra a morte de um cão comunitário é legítima. Mas há uma grande diferença quando a manifestação ultrapassa os limites do bom senso ao criar narrativas difamatórias que geram ameaças à vida de um inocente e de seus familiares, além do boicote direto às nossas atividades empresariais. Ainda assim, graças a uma estrutura familiar baseada no afeto, na fé e na segurança dos valores humanos que sustentamos, resistimos à tentação de responder a tudo isso com ódio, de alimentar confrontos ou de entrar na espiral destrutiva que, infelizmente, tem dominado as redes sociais.
Seguimos convictos de que não é assim que se constrói justiça.
O que este episódio nos ensinou, e acreditamos que deve ensinar a todos, é que o pânico digital, os factóides, os julgamentos sumários e o uso oportunista de tragédias destroem reputações, adoecem pessoas e colocam em risco valores essenciais ao convívio democrático. A indignação, ainda que compreensível em determinados contextos, não pode substituir a verdade e o devido processo legal.
A partir de agora, nosso foco é seguir em frente: cuidar da nossa família, mitigar os impactos pessoais deixados por esse terrível episódio e recompor, com dignidade, o que foi abalado. Buscaremos a reparação legal dos danos sofridos não por revanchismo ou rancor, mas como exercício de cidadania, transparência e afirmação de que crimes digitais e difamações não podem ser naturalizados. E, infelizmente, não foram apenas anônimos que adotaram esse comportamento. Entre os julgadores, havia formadores de opinião, da imprensa, da política e de organizações sociais.
Também refletimos, com serenidade, sobre a possibilidade de transformar essa experiência dolorosa em algo que vá além de nós. Queremos contribuir para um debate mais qualificado sobre a violência digital, os tribunais das redes e a destruição de reputações no ambiente online. Se algo positivo puder surgir como legado de tudo isso, que seja o aprendizado coletivo.
Por fim, desejamos que os próximos capítulos deste episódio sejam conduzidos com a serenidade necessária para que o desfecho seja o mais adequado a todos os envolvidos. A verdade sobre nosso filho apareceu. E é com ela, e não com o ódio, que escolhemos seguir.