Uma nova pesquisa nacional Futura/Apex revelou um dado que acende alerta no meio político e jurídico de Brasília: 57% dos brasileiros defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas 27,2% afirmam ser contra a medida.
O levantamento escancara o desgaste crescente da imagem da Corte junto à população após anos de decisões polêmicas envolvendo censura de perfis em redes sociais, prisões preventivas prolongadas, investigações conduzidas diretamente por ministros e julgamentos ligados aos atos de 8 de janeiro.
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O apoio ao impeachment se torna ainda mais expressivo em determinados segmentos da população. Entre homens, o índice chega a 65,8%. Na Região Sul, alcança 65%, mostrando forte concentração da insatisfação em áreas historicamente mais alinhadas à direita e ao bolsonarismo.
A pesquisa reforça um cenário de desgaste institucional que vinha sendo percebido nos bastidores políticos, mas que agora aparece consolidado numericamente em nível nacional. Nos últimos anos, o STF passou a ocupar papel central em disputas políticas, eleitorais e institucionais, ampliando seu protagonismo em decisões que antes eram tradicionalmente conduzidas pelo Congresso ou pelo Executivo.
O avanço desse protagonismo também aumentou a reação popular contra a Corte. Críticos acusam ministros do STF de extrapolarem limites constitucionais, interferirem em competências de outros Poderes e ampliarem excessivamente decisões monocráticas com forte impacto político.
O tema ganhou ainda mais força após os julgamentos relacionados ao 8 de janeiro. Parte significativa da população passou a questionar a proporcionalidade das penas aplicadas e o alcance das decisões envolvendo bloqueios de perfis, remoção de conteúdos e condução de investigações sobre “atos antidemocráticos”.
A pesquisa também mostrou que o eleitorado identifica majoritariamente a direita como o campo político mais crítico ao Supremo. Quando perguntados sobre qual liderança possui postura mais firme contra o STF, 37,2% apontaram Flávio Bolsonaro. Luiz Inácio Lula da Silva aparece com apenas 11,6%.
Nos bastidores de Brasília, o crescimento da rejeição ao Supremo já começa a preocupar integrantes da própria Corte e lideranças políticas. Parlamentares da oposição têm intensificado discursos defendendo limites ao poder do STF, mandatos para ministros e restrições a decisões monocráticas.
Embora pedidos de impeachment de ministros do Supremo existam há anos no Senado, nenhum avançou efetivamente até hoje. Ainda assim, o novo levantamento mostra que o tema deixou de ser restrito a nichos políticos e passou a encontrar respaldo relevante na opinião pública nacional.
O resultado também amplia a pressão sobre o Congresso Nacional, especialmente sobre o Senado Federal, responsável constitucionalmente por analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
A pesquisa Futura/Apex ouviu 2 mil eleitores em 870 municípios entre os dias 4 e 8 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.