29 de abril de 2026

Goiás confirma primeiro caso de Febre Oropouche

Paciente apresentou sintomas leves e já está curado, mas diagnóstico de transmissão local e reforça importância do diagnóstico

Por: Valdir Justino

Texto: Inglid Martins

Publicada em 29 de abril de 2026 às 12:18
 SES-GO investiga dispersão do vírus que antes ficava restrito à região amazônica (Foto: IOC/Fiocruz)

Um homem que mora em Anápolis é o primeiro caso confirmado de febre Oropouche em Goiás. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29/4) pela subsecretária de Vigilância em Saúde da SES/GO, Flúvia Amorim. O paciente buscou atendimento com sintomas típicos de arboviroses, e, após exames, foi constatada a doença viral. O homem já está curado e sendo monitorado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Em Anápolis, a investigação epidemiológica confirmou que o caso é autóctone, ou seja, a contaminação ocorreu dentro do município, e não em viagem. O paciente deu entrada na unidade de saúde em 24 de março, apresentando febre, tontura e manchas na pele (exantema). Após a confirmação, a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis e a SES/GO intensificaram as ações de controle.

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O Diretor de Vigilância em Saúde de Anápolis, Daniel Soares, reiterou que as equipes de Zoonoses e Vigilância Sanitária já estão monitorando áreas de risco e combatendo a presença do mosquito transmissor na cidade.

Vigilância
A confirmação é fruto de uma estratégia de “vigilância laboratorial ativa” que o Estado de Goiás vem desenhando desde 2023. Segundo Flúvia, o Laboratório Central de Goiás (Lacen-GO) passou a testar sistematicamente para Oropouche todas as amostras que apresentavam resultado negativo para Dengue, Zika e Chikungunya. “Com essa vigilância laboratorial ativa, conseguimos identificar o nosso primeiro caso agora em 2026. Foram mais de 6 mil amostras processadas até chegarmos a este diagnóstico em Anápolis”, detalhou Flúvia.

“Não é motivo para pânico. No Brasil, em 2025, foram cerca de 12 mil casos, o que mostra que a doença já está espalhada. Nosso foco agora é informar profissionais de saúde e a população para garantir o diagnóstico correto e entrar com as medidas de controle para evitar grandes dispersões”, finalizou Flúvia.

Histórico e dispersão nacional
O histórico da doença no Brasil revela uma mudança de comportamento do vírus. Identificado pela primeira vez no país em 1960, durante a construção da rodovia Belém-Brasília, o vírus Oropouche permaneceu por décadas restrito a surtos esporádicos na região amazônica. Contudo, Flúvia Amorim pontua que, a partir de 2023, houve uma dispersão acelerada para outras regiões.

“Mudanças climáticas, aquecimento global e o desmatamento propiciam a saída desses vírus das regiões silvestres de mata. Além disso, o trânsito intenso de pessoas faz com que um problema em qualquer lugar do mundo se torne um problema global rapidamente”, alertou a subsecretária.

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