Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28) desmantelou parte de um esquema bilionário de sonegação de tributos e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A investigação revelou ramificações diretas em Goiás e, além disso, confirmou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em distribuidoras e usinas. O Jornal Transmissão já havia alertado sobre a expansão da facção no estado.
Operação Carbono Oculto
A ação, batizada de Operação Carbono Oculto, mobilizou cerca de 1.400 agentes em oito estados. Dessa forma, foram expedidos mandados contra mais de 350 pessoas físicas e jurídicas. A força-tarefa reúne o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Ministério Público Federal, Polícia Federal, polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda de São Paulo, ANP e PGE.
Assine a newsletter do Diário Popular. É rápido, fácil e gratuito !
Ao se inscrever em nossa newsletter você concorda com nossa política de privacidade.
R$ 7,6 bilhões em sonegação
Segundo o MPSP, o esquema teria causado ao menos R$ 7,6 bilhões em sonegação de tributos. Goiás aparece como ponto estratégico da rede criminosa e, nesse contexto, Senador Canedo se destaca como um dos maiores polos de distribuição de combustíveis do Centro-Oeste.
Empresários e empresas envolvidas
O núcleo do esquema seria comandado pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Loco, e Mohamad Hussein Mourad, ligados ao grupo Aster/Copape. Eles teriam se associado ao Grupo Refit (ex-Manguinhos), do empresário Ricardo Magro, ex-advogado do ex-deputado Eduardo Cunha.
Assim, seis distribuidoras funcionavam como elo entre os grupos. As bases operavam em Jardinópolis, Iguatemi e Guarulhos (SP), além de Senador Canedo (GO). Esse movimento evidencia a presença articulada do PCC no estado goiano.
Goiás já estava no radar
Em junho, o Jornal Transmissão revelou que o PCC planejava comprar usinas e postos de combustíveis em Goiás para lavar dinheiro【Transmissão Política, 05/06/2024】. Além disso, outra reportagem destacou a expansão nacional da facção no setor e mostrou como o crime organizado buscava diversificar suas fontes de renda【Transmissão Política, 19/06/2024】.
Próximos passos da investigação
A apuração deve detalhar a participação das empresas ligadas ao esquema em Goiás e nos demais estados. Enquanto isso, estão previstos bloqueios de bens, medidas fiscais e novas denúncias contra os empresários apontados como líderes do esquema. Por fim, autoridades prometem reforçar o monitoramento sobre o setor de combustíveis, considerado estratégico para o crime organizado.