Pacote de ‘bondades’: Lula anuncia R$ 271 bilhões na economia
Investimentos de "bondades" incluem crédito para exportadores, indústria verde, transporte, habitação e programas sociais, mas levantam dúvidas sobre a meta fiscal de 2027.
Medidas de ‘bondades’ anunciadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de 2026 devem injetar cerca de R$ 271 bilhões na economia neste ano, segundo levantamento divulgado pelo site CNN Money neste sábado (19). O conjunto reúne novas linhas de crédito, programas habitacionais, benefícios sociais, subsídios e mudanças tributárias em um ano marcado pela disputa eleitoral.
Entre as medidas de maior impacto estão os programas de crédito. O Plano Brasil Soberano 2.0 prevê R$ 15 bilhões para empresas exportadoras, enquanto uma nova linha voltada à indústria 4.0 e à produção de bens de capital ligados à economia verde soma outros R$ 10 bilhões. O Moviagrícola acrescenta aproximadamente R$ 10 bilhões para financiar a compra de equipamentos como tratores e colheitadeiras.
O setor de transporte também recebeu novas linhas. O programa MOV prevê R$ 21,2 bilhões para aquisição de caminhões e ônibus, enquanto o Move Brasil disponibiliza até R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de aplicativo, taxistas e cooperativas comprarem veículos novos.
No mercado imobiliário, um novo modelo de crédito habitacional tem estimativa de movimentar R$ 22,3 bilhões em 2026, de acordo com cálculo do BTG Pactual. O Reforma Casa Brasil acrescenta outros R$ 13,9 bilhões, enquanto a ampliação da faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida pode representar R$ 7,7 bilhões em recursos no ano.
BENEFÍCIOS E SUBSÍDIOS
O governo também ampliou ou criou medidas voltadas diretamente ao consumo e à renda das famílias. O Bolsa Família, por exemplo, teve o piso reajustado para R$ 691, gerando uma despesa adicional estimada em R$ 5,8 bilhões em 2026.
Outro programa de impacto relevante é o Gás do Povo, que prevê a distribuição gratuita de botijões para 15,5 milhões de famílias, com custo estimado em R$ 5,1 bilhões. Já o Luz do Povo ampliou a tarifa social de energia e prevê isenção total para famílias do CadÚnico que consumam até 80 kWh por mês. O impacto estimado para 2026 é de R$ 4,3 bilhões.
Também foi autorizado um novo saque do FGTS para trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025. O desbloqueio adicional estimado é de R$ 8,4 bilhões.
Na área de segurança pública, o programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê R$ 11 bilhões, sendo R$ 968,2 milhões para investimentos diretos e aproximadamente R$ 10 bilhões em financiamentos destinados a estados e municípios.
IMPACTO NAS CONTAS
O volume de medidas levanta discussões sobre a situação fiscal do governo no próximo ano. O reajuste do Bolsa Família, por exemplo, não estava previsto no projeto do Orçamento de 2027 encaminhado originalmente ao Congresso e terá de ser incorporado à proposta.
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado apontou risco de descumprimento da meta fiscal de 2027. No cenário apresentado pela entidade, o déficit primário efetivo poderia chegar a R$ 86,1 bilhões.
Quando consideradas as deduções previstas nas regras de cálculo da meta, a projeção da IFI é de um superávit primário de aproximadamente R$ 900 milhões, ainda abaixo do limite inferior estabelecido para o resultado fiscal. Para cumprir as regras, a instituição estima que seria necessário contingenciar cerca de R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias.