17 de agosto de 2026

Incêndio em Terra Ronca já destruiu mais de 13 mil hectares e é o maior em andamento no Brasil

Fogo completa nove dias nesta segunda-feira (17), e Corpo de Bombeiros aponta ação humana, ventos fortes e estiagem como fatores que agravaram as chamas no Nordeste de Goiás.

Por: Valdir Justino

Texto: Pedro Moura

Publicada em 17 de agosto de 2026 às 13:47
 Major dos Bombeiros avalia que ação humana ajuda a antecipar fase crítica de incêndios em Goiás, durante combate a queimada em Terra Ronca (Foto ilustrativa: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

O incêndio no Parque Estadual Terra Ronca, no Nordeste de Goiás, completa 9 dias nesta segunda-feira (17), com mais de 13 mil hectares consumidos – o parque não era impactado pelo fogo de maneira expressiva desde 2021. A combustão, já considerada ‘a maior queimada florestal em andamento no Brasil‘ pelo Corpo de Bombeiros, ocorre antes do período historicamente mais crítico para a região – setembro e outubro. Os focos registrados pela corporação têm a ação humana como principal causa. A avaliação é do major Paulinelli Damasceno, que ressalta o comportamento das pessoas como fator que, em 2026, colabora para antecipação do período crítico de incêndios no estado.

“A ação humana é o principal fator causador de incêndios. Terra Ronca, por exemplo, não era atingida por um evento tão grande há cinco anos. O histórico de incêndios para a região é focos em setembro e outubro, mas esse ano tivemos uma antecipação. A ação humana, aliada aos fortes ventos e a falta de chuvas, fez com que a situação se agravasse”, explica o major Paulinelli Damasceno.

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Apenas entre janeiro e o início de julho, o Corpo de Bombeiros atendeu 4,2 mil ocorrências de fogo em vegetação e áreas urbanas no estado — uma a cada hora, em média. Apesar dos eventos em vegetação serem mais graves, eles representam apenas 9,6% desse total, enquanto o restante, 90,4% – relativos a 3,8 mil ocorrências -, são representados por chamados urbanos.

Incêndio no Parque Terra Ronca já atinge 13 mil hectares de vegetação (Foto: CMBGO)

Obstáculos do combate a incêndios

Segundo o bombeiro, o cenário climático enfrentado por Goiás em 2026 exige atenção permanente das instituições e da população, a fim de evitar o aumento de incêndios no estado. A combinação entre estiagem prolongada, temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, ventos intensos e grande quantidade de material vegetal seco cria condições favoráveis à ocorrência e à rápida propagação do fogo.

“A maior dificuldade no combate são as temperaturas elevadas. No combate direto, é preciso chegar bem próximo a chama, mas isso pode variar. No incêndio atual, em Terra Ronca, por exemplo, a maior dificuldade são os ventos e o tipo de vegetação, que gera um fogo maior. Há áreas muito arenosas e o deslocamento das equipes gera grandes esforços físicos”, explica o major.

Até julho, Goiás registrou cerca de 1,8 mil queimadas em região de vegetação (Foto ilustrativa: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Decreto suspende uso do fogo

Paulinelli lembra ainda que está em vigor, desde 24 de julho, o decreto estadual Nº 10.962, que proíbe o uso do fogo em vegetação no restante do ano de 2026, em razão do risco e alta probabilidade de ocorrência de incêndios florestais. Com isso, a população deve evitar qualquer prática capaz de produzir fontes de ignição, especialmente em áreas rurais e de vegetação seca, o que pode gerar pena de dois a quatro anos e multa.

“Existe a cultura do uso do fogo para o capim de rebrota, como uma técnica agropastoril. A gente recomenda que as pessoas evitem o uso do fogo para limpar lotes, em pastos e áreas urbanas. Pedimos também que, ao ver qualquer sinal de fogo, acionem os bombeiros por meio do 193”, concluiu.

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