17 de julho de 2026

Defesa de empresário pede afastamento de Alexandre de Moraes em investigação sobre vazamento de dados

Advogados de Marcelo Conde alegam impedimento do ministro do STF por ser marido da suposta vítima; empresário nega ter encomendado acesso ilegal a informações fiscais

Por: Valdir Justino

Texto: Andre Shalders

Publicada em 17 de julho de 2026 às 16:26
 Hugo Barreto/Metrópoles

A defesa do empresário carioca Marcelo Conde pediu que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixe a relatoria do caso na Corte. Conde é acusado de ser o mandante do vazamento de dados fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro — acusação que ele nega.

Incluído no chamado “inquérito das fake news”, Marcelo Conde é empresário do ramo imobiliário e filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde (1997-2001).

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A tese da defesa é a de que Moraes não poderia atuar no caso por ser casado com a vítima. O entendimento do STF, porém, tem sido o de que a “vítima”, nesses casos, é a própria Corte, o que permitiria a atuação de Moraes como relator.

“A lei é clara. O Código de Processo Penal, em seu art. 252, inciso IV, diz expressamente que o juiz está impedido de participar de julgamentos que envolvam parentes em até 3º grau”, diz o advogado criminalista Antonio Pitombo, responsável pela defesa de Marcelo Conde.

A defesa também enviou um ofício ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, alegando o suposto impedimento de Moraes.

“O pedido encontra amparo não apenas no direito processual interno (brasileiro), mas também na Constituição da República e no direito convencional. A Constituição (…) impõe que ninguém deve ser julgado, em procedimento criminal, por magistrado sem condições objetivas e subjetivas de neutralidade”, diz a nota de Antonio Pitombo.

No começo deste mês, o advogado apresentou uma reclamação ao STF pedindo acesso aos autos do processo, aos quais, segundo a defesa, Conde ainda não havia conseguido acesso. Após a apresentação do pedido, Alexandre de Moraes proferiu nova decisão autorizando o acesso aos autos.

De acordo com a Polícia Federal (PF), Marcelo Conde teria pago R$ 4,5 mil para obter, de forma indevida, declarações de Imposto de Renda. Ele, que atualmente vive na Espanha, nega as acusações.

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