Lula terá 4° mandato com dívida de R$ 11 trilhões e 82% do PIB
Cenário econômico complicado deve ser enfrentado pelo petista em sua quarta gestão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições deste domingo (25) e seguirá no Palácio do Planalto por mais quatro anos. Com o quarto mandato confirmado, Lula terá pela frente o desafio de conduzir a economia em meio ao avanço da dívida pública e à redução do espaço disponível no Orçamento.
A dívida brasileira está próxima de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O montante corresponde a aproximadamente dez meses de tudo o que o país produz em bens e serviços. A trajetória de crescimento do endividamento coloca o equilíbrio das contas públicas entre os principais desafios do novo mandato.
A pressão sobre o Orçamento já aparece nas projeções para 2027. Dos R$ 2,8 trilhões previstos em despesas primárias, cerca de 90% estão comprometidos com aposentadorias, salários, benefícios sociais e outras despesas obrigatórias. Com isso, sobra uma parcela limitada para investimentos e novas iniciativas do governo federal.
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
Além das contas públicas, Lula terá de lidar com o elevado endividamento dos brasileiros. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 81,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em setembro de 2026. Apesar da leve queda em relação aos 82% registrados em agosto, o indicador acumulou recordes ao longo do ano.
Durante a campanha, Lula anunciou medidas para aliviar as dívidas de famílias e pequenos empreendedores. Entre elas está a inclusão de microempreendedores individuais (MEIs) no programa Desenrola 3.0, que prevê descontos de pelo menos 90% na renegociação de dívidas bancárias. O volume das dívidas abrangidas foi estimado em cerca de R$ 6 bilhões.
O presidente também sancionou uma medida de perdão de débitos de MEIs com a União. Segundo o governo, a iniciativa pode beneficiar aproximadamente 3,6 milhões de empreendedores e envolve R$ 12,6 bilhões em dívidas, incluindo juros, multas e encargos legais.
AMPLIAÇÃO DE PROGRAMAS SOCIAIS
Na campanha, Lula defendeu a ampliação de programas como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, a manutenção da política de valorização do salário mínimo e o aumento dos investimentos públicos. As iniciativas podem sustentar a renda das famílias e financiar serviços e obras, mas também elevam as despesas quando não há receitas suficientes para cobrir os custos.
O peso dos gastos obrigatórios torna esse cenário mais complexo. Despesas com Previdência, saúde, educação, benefícios sociais e salários seguem regras legais e, em muitos casos, não podem ser reduzidas rapidamente. Mudanças mais profundas podem exigir alterações legislativas ou constitucionais.
DÍVIDA E RELAÇÃO COM CONGRESSO
O resultado eleitoral também deixa Lula diante do desafio de negociar com um Congresso Nacional mais alinhado à direita. A capacidade de aprovar medidas fiscais, revisar despesas e viabilizar receitas dependerá, em parte, da articulação política com parlamentares que poderão se opor a propostas do governo.
O debate sobre impostos também deve continuar. Flávio prometeu reduzir tributos e restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), encerrado em 2025. Lula, por sua vez, defendeu a manutenção e ampliação de políticas públicas que dependem de financiamento permanente.
Com a dívida próxima de R$ 11,1 trilhões e a maior parte do Orçamento comprometida com despesas obrigatórias, o novo mandato de Lula começará sob pressão para conciliar a continuidade de programas sociais com a necessidade de estabilizar as contas públicas. O desafio será definir como financiar as prioridades do governo sem comprometer ainda mais a trajetória do endividamento brasileiro.