HCN de Uruaçu carece de referência em alta complexidade cardiovascular
O HCN atende 60 municípios, mas pacientes com infarto são encaminhados a Goiânia por falta de estrutura de alta complexidade
Hospital de Uruaçu, HCN é referência para uma macrorregião de 60 municípios, mas documentos oficiais apontam Goiânia como referência estadual para assistência cardiovascular de alta complexidade
URUАÇU (GO) — O Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN) se consolidou como uma das maiores e mais importantes estruturas públicas de saúde do interior de Goiás. Localizado em Uruaçu, o hospital atende pacientes de uma macrorregião formada por 60 municípios. Mas uma pergunta precisa ser feita: por que uma unidade desse porte ainda não aparece como referência completa em alta complexidade cardiovascular para o Norte de Goiás?
A questão ganha ainda mais importância quando se fala em infarto agudo do miocárdio, situação em que cada minuto pode fazer diferença para salvar o músculo cardíaco e a vida do paciente.
O HCN possui atendimento especializado e é oficialmente classificado pela Secretaria de Estado da Saúde como hospital de média e alta complexidade. Entretanto, a própria SES-GO destaca como principais perfis assistenciais da unidade a oncologia, traumatologia e gestação de alto risco.
CARDIOLOGIA EXISTE, MAS A QUESTÃO É A ALTA COMPLEXIDADE
É importante fazer essa distinção para não passar uma informação equivocada à população: dizer simplesmente que o “HCN não atende coração” seria incorreto.
A questão central é outra: a estrutura disponível para os casos cardiovasculares que exigem procedimentos de alta complexidade.
Um documento oficial da própria Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, referente à Região de Saúde Serra da Mesa, afirma que municípios da região não dispõem de infraestrutura para determinados procedimentos e, por isso, encaminham pacientes para a rede pactuada, inclusive Anápolis e Goiânia.
Mais significativo ainda: no tópico “Serviços de Cardiologia”, o documento aponta o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), em Goiânia, como serviço de referência estadual para assistência cardiovascular de alta complexidade em cirurgia cardiovascular adulta, neonatal e pediátrica.
Isso ajuda a explicar por que determinados pacientes do Centro-Norte goiano precisam entrar no sistema de regulação e ser encaminhados para centros que disponham da estrutura necessária.
NO INFARTO, TEMPO É CORAÇÃO
É justamente aí que surge a preocupação.
Uruaçu está a centenas de quilômetros da capital. Quando um paciente sofre um infarto grave e necessita de intervenção especializada, o deslocamento e a regulação passam a fazer parte de uma corrida contra o relógio.
Por isso, a discussão não deve ser tratada como crítica aos profissionais do HCN. A questão é de estrutura, habilitação, organização da rede pública e política de saúde.
O próprio Governo de Goiás informa que o HCN atende os 60 municípios da macrorregião Centro-Norte, demonstrando a dimensão da população que depende direta ou indiretamente da unidade.
POR QUE NÃO AMPLIAR A ALTA COMPLEXIDADE CARDIOVASCULAR EM URUAÇU?
Diante da importância regional do hospital, algumas perguntas merecem respostas públicas:
Existe projeto para implantação ou ampliação de um serviço de alta complexidade cardiovascular no HCN? Há previsão de hemodinâmica com capacidade para cateterismo e angioplastia de urgência? Quantos pacientes com problemas cardiovasculares são transferidos anualmente do Centro-Norte para Goiânia ou outras cidades? Qual é o tempo médio entre a solicitação da vaga, a transferência e a realização do procedimento?
São perguntas legítimas.
O HCN é patrimônio da saúde pública goiana e representa um avanço extraordinário para Uruaçu e todo o Norte do Estado. Justamente por isso, ampliar sua capacidade cardiovascular poderia representar mais um salto histórico para a regionalização da saúde em Goiás.
“GIGANTE DO NORTE” PODE FICAR AINDA MAIOR
A discussão que Uruaçu e região precisam fazer não é sobre diminuir aquilo que o HCN já realiza.
É exatamente o contrário.
É perguntar o que falta para o Gigante do Norte ficar ainda mais completo.
Se o hospital já atende uma macrorregião de 60 municípios e possui estrutura de média e alta complexidade, por que não avançar também para uma referência cardiovascular regional capaz de reduzir a dependência de longos deslocamentos nos casos mais graves?
Quando o assunto é infarto, não estamos falando apenas de quilômetros.
Estamos falando de minutos.
E, quando o coração está em risco, cada minuto conta.
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