URUAÇU (GO) — Quase 11 anos depois dos tiros que tiraram a vida do ex-prefeito de Estrela do Norte Geraldo Nicolau Filho, o Curica, um dos crimes de maior repercussão política e policial do Norte de Goiás voltou ao centro das atenções.
No julgamento realizado em Uruaçu, Elaine Cristina Vaz, ex-primeira-dama de Estrela do Norte, foi condenada a 12 anos de prisão por sua participação no crime.
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O assassinato aconteceu em 1º de outubro de 2015, em um motel às margens da BR-153, na zona rural de Mara Rosa. Curica foi surpreendido quando deixava o local e atingido por vários disparos de arma de fogo. Documentos e informações divulgados pelo Ministério Público de Goiás descrevem o homicídio como praticado por motivo torpe, mediante emboscada e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
TRAÍÇÃO E VINGANÇA: O QUE ESTARIA POR TRÁS DO CRIME
Por trás daquele assassinato havia uma história que envolvia relações familiares, um relacionamento extraconjugal e, conforme sustentou a acusação, vingança.

Segundo o Ministério Público, Curica mantinha um relacionamento extraconjugal com Anésia Xavier, esposa de Trajano José de Almeida e cunhada de Wellington José de Almeida. A relação teria começado ainda em 2013.
No dia do crime, Anésia teria marcado um encontro com Curica. Os dois seguiram para o motel. De acordo com a reconstrução apresentada pelo MPGO, Elaine tomou conhecimento da movimentação e uma terceira pessoa foi enviada ao estabelecimento para verificar se o veículo estava no local. Posteriormente, Elaine, Wellington e Waldivino José de Almeida também teriam ido ao motel.

A acusação descreveu uma verdadeira emboscada.
Quando Curica deixou o quarto, foi surpreendido. Segundo o MPGO, Wellington e Waldivino estavam armados. Houve luta corporal e, na sequência, Curica foi alvejado por diversos disparos, inclusive a curta distância. Ele morreu no local.

As investigações iniciais também chegaram a considerar eventual componente político, já que Curica era uma liderança de Estrela do Norte e havia expectativa de que voltasse à disputa pela prefeitura. Entretanto, a tese acusatória levada adiante pelo Ministério Público apontou vingança ligada ao relacionamento extraconjugal como motivação do homicídio.
UM PROCESSO QUE ATRAVESSOU MAIS DE UMA DÉCADA
A morte de Curica não terminou naquele pátio de motel. Começou ali uma longa caminhada pelos tribunais, marcada por prisões, recursos, julgamentos e anulações.
Waldivino José de Almeida foi condenado anteriormente pelo homicídio. Elaine e Wellington também passaram pelo Tribunal do Júri. Em novembro de 2024, Wellington foi condenado a 16 anos e Elaine absolvida, mas aquele julgamento acabou anulado pela Justiça após recurso do Ministério Público, que apontou violação da incomunicabilidade dos jurados.
Assim, o caso chegou novamente ao Tribunal do Júri, desta vez em Uruaçu, levando para o banco dos réus uma história que há quase 11 anos permanece viva na memória da população de Estrela do Norte.
A DOR QUE O TEMPO NÃO APAGA
O tempo muda cidades, governos e gerações. Mas existem acontecimentos que permanecem na memória coletiva.
Curica foi prefeito de Estrela do Norte e teve sua trajetória interrompida de maneira brutal. Para familiares e amigos, entretanto, antes da figura política existe a lembrança de uma pessoa cuja vida terminou naquele 1º de outubro de 2015.
Nenhuma sentença devolve uma vida. Nenhuma condenação apaga 11 anos de saudade. Mas a Justiça tem o dever de analisar os fatos, assegurar o direito de defesa e dar uma resposta à sociedade.
O julgamento realizado em Uruaçu representa, portanto, mais um capítulo de um processo que atravessou uma década e que, por tudo o que envolveu — paixão, traição, vingança, política, emboscada e morte — tornou-se um dos casos criminais mais lembrados da região.
Onze anos depois, o estampido dos tiros ficou no passado. A lembrança, porém, permanece. E o nome de Geraldo Nicolau Filho, o Curica, volta mais uma vez à história pela voz da Justiça.
(FOTOS – JORNALISTA – GODOFREDO COSTA)