Quase 11 anos depois do crime, Elaine Cristina Vaz, ex-primeira-dama de Estrela do Norte, volta nesta quinta-feira (13) ao Tribunal do Júri pela morte do ex-prefeito Geraldo Nicolau Filho, o Curica. O novo julgamento será realizado em Uruaçu, onde tramita atualmente a ação penal.
Curica foi assassinado a tiros em 1º de outubro de 2015, no Motel Glamour, localizado no trevo de acesso a Mara Rosa. A vítima e todos os outros envolvidos eram moradores de Estrela do Norte.
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O caso
Segundo a denúncia do Ministério Público, Curica mantinha um relacionamento extraconjugal com Anésia Xavier Peres Almeida, cunhada do então prefeito Wellington José de Almeida. A acusação sustenta que, depois que familiares tomaram conhecimento de que os dois estavam juntos naquele dia, houve uma movimentação para flagrar o casal no motel.
O Ministério Público atribuiu os disparos a Wellington José de Almeida, então prefeito de Estrela do Norte e marido de Elaine, e ao irmão dele, Waldivino José de Almeida.
Elaine não é acusada de ter atirado em Curica, mas de ter participado da ação que resultou no homicídio. Segundo a denúncia, ela teria acompanhado Wellington ao motel e permanecido no local enquanto a vítima era abordada.
Entre os elementos reunidos na investigação estão depoimentos, registros de entrada dos veículos no motel e imagens do circuito interno de segurança. O Ministério Público aponta como motivação o relacionamento extraconjugal e a rivalidade política existente entre Curica e o grupo partidário de Wellington.
Condenações
Waldivino foi condenado em 2021 a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Wellington, julgado em 2024, recebeu 15 anos, com reconhecimento da qualificadora de recurso que dificultou a defesa.
Uma quarta denunciada no caso, Renata Pereira Rezende, então tesoureira da Prefeitura de Estrela do Norte, não passou pelo Juri Popular. Foi julgada e absolvida depois, em Goiânia, por “atipicidade da conduta”.
O Tribunal de Justiça acolheu o argumento da defesa e concluiu que a participação de Renata não constituía crime. Ela foi ao motel antes dos fatos, a pedido da então primeira-dama, apenas para confirmar se o casal adúltero realmente estaria por lá.
Terceiro julgamento
Este será o terceiro júri de Elaine pelo mesmo crime. Em 2023, ela foi condenada a 14 anos e seis meses de prisão. Em 2024, foi novamente levada ao júri e desta vez absolvida.
Os dois primeiros julgamentos aconteceram em Mara Rosa, onde o crime foi cometido. Mas foram anulados porque o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu irregularidades relacionadas à composição e à imparcialidade do Conselho de Sentença.
Agora, quase 11 anos depois da morte de Curica, caberá a um novo grupo de jurados, desta vez de Uruaçu, decidir se Elaine teve participação no homicídio, como sustenta o Ministério Público, ou se deve ser absolvida.
Elaine será defendida pelos advogados Magno Rocha de Vasconcelos, de Uruaçu – o mesmo que defendeu Renata – e Thales José Jayme, conhecido criminalista e dirigente da OAB-GO.
A sessão está marcada para esta quinta-feira (13), a partir das 9h, no Tribunal do Júri de Uruaçu.