10 de abril de 2026

Feminista processa Erika Hilton após ser associada ao nazismo

Isabella Cêpa e deputada travam disputas judiciais desde que ativista chamou Hilton de “homem”

Por: charles

Texto: Thamirys Andrade

Publicada em 9 de abril de 2026 às 18:47
 Isabella Alves Cêpa e Erika Hilton Foto: Reprodução/Rede social X; Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

As disputas judiciais entre a deputada federal Erika Hilton e a influenciadora feminista Isabella Alves Cêpa estão longe de acabar. A militante protocolou uma queixa-crime contra a parlamentar, acusando-a de calúnia e injúria, após ter sido chamada de “criminosa” e “fracassada”, além de ter sido associada a nazistas e à Ku Klux Klan.

O imbróglio entre Hilton e Cêpa começou em 2020, quando a designer gráfica criticou o resultado das eleições municipais em São Paulo, afirmando que a mulher mais votada daquele ano era, na verdade, um homem.

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A deputada transexual acionou a Justiça Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando Isabella de praticar transfobia. Entretanto, o processo acabou arquivado pela 7ª Vara Federal em São Paulo em agosto de 2025. O STF, por sua vez, considerou que não há conflito entre a decisão que criminaliza a transfobia e a sentença da Justiça Federal que arquivou a denúncia contra a influenciadora feminista Isabella Cêpa.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também já havia se posicionado pelo arquivamento do caso. Segundo ele, as declarações da ativista não configuram crime, mas fazem parte do direito de opinião.

A polêmica voltou à tona após Erika Hilton voltar a se manifestar sobre o tema em entrevista divulgada no último dia 2 de março pelo programa 20 minutos, do Opera Mundi. Na ocasião, a deputada disse que “essa menina [Isabella Cêpa] é uma criminosa, porque o Supremo Tribunal Federal já tem a sua decisão acerca do que é a transfobia”.

– Se você comete transfobia, você é criminosa, você comete um crime que inclusive é equiparado ao crime de racismo. A sua crença, o que você acredita, não pode embasar os seus comportamentos na sociedade. A Ku Klux Klan acreditava que negros eram inferiores. Hitler tinha uma crença de que judeus eram inferiores. Isso não pode servir de instrumento para suas relações pessoais. O que você acredita tem que ficar no mínimo dentro da sua cabeça ou no máximo dentro da sua própria casa. Quando você sai da porta para a rua, você vai viver em sociedade. E viver em sociedade pressupõe que você tem regras para viver em sociedade – assinalou.

– O que esta moça comete é crime e será processada ela e todas as outras ou outros que praticarem crimes. Nós não podemos nos basear nas nossas próprias crenças, porque se nós nos basearmos nas nossas próprias crenças, o nazismo está autorizado, o racismo está autorizado – completou a parlamentar.

Em resposta, Cêpa acionou a Justiça de São Paulo afirmando que a deputada “não estava exercendo sua função de deputada ao rotular a querelante como ‘criminosa’ e compará-la ao nazismo; estava, sim, abusando de sua visibilidade para retaliar uma pesquisadora cujo pensamento a desagrada”.

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