Vítima de acidente com Césio-137 morre 39 anos após o ocorrido
Lucimar das Neves Ferreira era irmão de Leide das Neves, a vítima mais jovem da tragédia
Lucimar das Neves Ferreira, um dos sobreviventes do acidente radiológico com Césio-137 ocorrido em Goiânia no fim da década de 80, foi encontrado morto no último sábado (25), em Aparecida de Goiânia (GO). A informação foi confirmada pela família e pela Associação das Vítimas do Césio-137.
O velório e o sepultamento de Lucimar aconteceram na manhã do último domingo (26), em Abadia de Goiás (GO). De acordo com um exame cadavérico solicitado pelos familiares, ele morreu devido a uma insuficiência respiratória aguda e broncopulmonar.
Lucimar tinha 14 anos quando foi contaminado durante o acidente radiológico. Ele era irmão de Leide das Neves Ferreira, que tinha 6 anos na época da tragédia e se tornou o símbolo do desastre ao ser a vítima mais jovem a morrer em decorrência da contaminação. Assim como outros integrantes da família, Lucimar foi exposto ao material radioativo após o pó de Césio-137 se espalhar por várias regiões de Goiânia.
Em publicação nas redes sociais, o presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Marcelo Santos Neves, lamentou a morte e afirmou que a notícia faz reviver as lembranças dos momentos mais difíceis enfrentados pelas vítimas e seus familiares. Segundo ele, Lucimar fazia parte de uma geração marcada permanentemente pelos efeitos da tragédia.
O acidente com o Césio-137 ocorreu em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia de uma clínica abandonada em Goiânia e o venderam a um ferro-velho. Durante a desmontagem do equipamento, foi encontrada uma cápsula contendo cerca de 19 gramas do material radioativo.
O brilho azulado emitido pela substância despertou a curiosidade de moradores, que manusearam e compartilharam o material sem conhecer os riscos da radiação. A contaminação se espalhou por diversos bairros da capital goiana, provocando quatro mortes diretamente relacionadas ao acidente, deixando centenas de pessoas expostas à radiação e levando mais de mil moradores a serem monitorados.
A história do acidente voltou a ganhar destaque recentemente com o lançamento da série documental Emergência Radioativa, disponibilizada pela Netflix em março deste ano, que relembra a tragédia.
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