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Liberdade religiosa

MP abre inquérito sobre oração do Pai Nosso em escola de Cuiabá

Autoridades investigam possível violação da liberdade religiosa após denúncia de prática obrigatória do Pai Nosso

Por Valdir Justino 03 de novembro de 2026, 10:09 Última atualização: 03 de novembro de 2026, 10:09
Escola onde foi registrada oração do Pai Nosso
— Foto: Prefeitura de Cuiabá/Erlan Aquino

A realização diária da oração do Pai Nosso antes do início das aulas em uma escola municipal de Cuiabá virou alvo de uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O órgão abriu um inquérito civil para apurar uma alegada violação à liberdade religiosa, após uma denúncia sobre a prática na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Professora Esmeralda de Campos Fontes.

O procedimento foi formalizado no último dia 15 de outubro pelo promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Júnior. Segundo o relato encaminhado à Ouvidoria do Ministério Público, os estudantes eram reunidos na quadra da unidade para rezar antes do começo das atividades escolares.

Questionada pelo MP, a Secretaria Municipal de Educação (SME) confirmou que a oração fazia parte da recepção dos alunos, mas destacou que a participação era voluntária. De acordo com a pasta, aqueles que não desejavam rezar eram encaminhados ao refeitório até o encerramento da atividade.

A secretaria afirmou ainda que não há determinação oficial para a realização de práticas religiosas nas escolas e que as unidades são orientadas a respeitar a liberdade religiosa e a diversidade de crenças.

Uma vistoria do Ministério Público, realizada também em outubro, confirmou que a oração integrava a rotina da escola, mas que os estudantes que não participavam permaneciam sentados e em silêncio no refeitório, em frente à quadra. Apesar de não terem identificado uma obrigação de rezar, os investigadores ainda assim apontaram que a separação dos alunos poderia provocar constrangimento.

O promotor argumentou que o Pai Nosso, por ser uma oração cristã, não representa todas as convicções religiosas e filosóficas dos estudantes, incluindo os que seguem outras religiões, os agnósticos e os ateus.

Além da abertura do inquérito, o Ministério Público recomendou que a Secretaria Municipal de Educação oriente diretores, coordenadores e professores a interromper orações, cultos, leituras religiosas e outras atividades ligadas a uma religião quando realizadas como parte da rotina das escolas.

O órgão também pediu que o município assegure que nenhum estudante seja obrigado a declarar suas crenças ou sofra discriminação por não participar dessas atividades. A recomendação determina que alunos não sejam isolados nem encaminhados compulsoriamente a outros ambientes por optarem por não acompanhar as manifestações religiosas.

A secretaria deverá apresentar uma relação das escolas municipais que realizam orações diárias ou práticas semelhantes, informando a frequência das atividades, quem são os responsáveis e como os estudantes que não participam são tratados. Também terá de encaminhar documentos e orientações oficiais do município sobre o assunto.