EUA: Fauci fica em silêncio em audiência sobre Covid no Senado
Ex-assessor de Joe Biden é acusado por republicanos de ocultar informações sobre origem da pandemia
Responsável por liderar a resposta do governo dos Estados Unidos à Covid-19 na gestão Joe Biden, o médico Anthony Fauci foi interrogado por senadores em audiência sobre a origem da pandemia e as atitudes tomadas por ele à época. Fauci, entretanto, se recusou a responder aos questionamentos, invocando seu direito à Quinta Emenda da Constituição dos EUA, que permite que réus e testemunhas fiquem em silêncio para evitar a autoincriminação.
Diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas entre os anos de 1984 e 2022, o cientista foi intimado pelo senador republicano Rand Paul para uma oitiva no Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado.
Fauci é acusado pelos republicanos de esconder informações sobre a origem da Covid-19 e ter cometido erros em sua gestão contra a pandemia. Antes de deixar a Casa Branca, o até então presidente Joe Biden lhe concedeu perdão presidencial preventivo contra possíveis acusações sobre a administração do médico em meio à pandemia.
Na audiência realizada na última quarta-feira (29), Fauci afirmou que o “único motivo” para ter sido convocado é para que dissesse algo que pudesse ser usado contra ele mesmo para prendê-lo. O médico afirma que Rand Paul possui “obsessão” em incriminá-lo e fez “repetidas promessas públicas” sobre colocá-lo “atrás das grades”.
De acordo com informações da CNN, em mais de duas horas de sessão, ele disse somente uma única frase a fim de informar que se absteria de responder às perguntas. Após fazerem diversas perguntas incisivas sobre sua atuação à época da pandemia e não obterem respostas, os republicanos o provocaram fazendo indagações sobre a cor de sua gravata e como a Quinta Emenda o protege.
Já Rand Paul declarou que na próxima semana a comissão analisará se a postura de Fauci na audiência tratou-se de desacato ao Congresso, o que poderia gerar um processo criminal.
O senador democrata Richard Blumenthal, por outro lado, defendeu o cientista, afirmando que a audiência tratou-se de mais um esforço para difamar o médico e negar a Ciência.
– Esta audiência é o culminar de uma cruzada que se arrasta há anos, que começou há mais de seis anos quando o dr. Fauci ousou contradizer o presidente Trump. A campanha para o difamar, dr. Fauci, é apenas uma parte desta campanha mais ampla contra a ciência e os factos, uma campanha que tornou os americanos menos seguros – criticou.
Em determinado momento da audiência, o advogado de Fauci, David Schertler, foi expulso da sessão por tentar interromper reiteradas vezes o senador Rand Paul. O defensor descreveu sua expulsão como “ultrajante” e uma prova da “natureza infundada e vingativa deste processo”.
Ao comentar a audiência, o atual presidente, Donald Trump, acusou Fauci de tentar proteger a China ocultar informações sobre a origem da pandemia e tomar decisões equivocadas.
– Eu disse desde o início que o vírus veio do laboratório de Wuhan, na China. Fauci discordou veementemente, sempre tentando proteger a China. Eu “herdei” Fauci, que estava lá desde a década de 1980, mas, a cada dia que passava, confiava cada vez menos nele. Ele tomou muitas decisões ruins, como sobre as MÁSCARAS. Lembrem-se de que, no início, ele era contra o uso de máscaras. Ele então passou a recomendar máscaras em excesso. De qualquer forma, não o deixei paralisar o país, embora ele quisesse – declarou.
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