Digimais usou “modelo operativo” adotado pelo Banco Master, diz PF
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões de alvos de operação da PF desta terça-feira (23/6)
A representação da Polícia Federal (PF) que fundamentou a operação contra o Banco Digimais, deflagrada nesta terça-feira (23/6), aponta que a instituição do bispo evangélico Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi do Banco Master, pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.
Os policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Digimais. O bispo não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos alvos da operação.
Quem são os alvos da operação
Mandados de busca e apreensão
Marcelo de Lima Brasil
João Alves de Campos
Rodrigo Ruggero
João Luiz Urbaneja
Thiago Rodrigues Urbaneja
José Roberto Giancoli Filho
Rodrigo Balassiano
Banco Digimais S.A.
ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
Quebra de sigilo fiscal
B.A. Empreendimentos e Participações S/A
Banco Digimais S.A.
Bless Capital Gestora de Recursos
Digimais Securitizadora de Créditos Financeiros S.A.
Edir Macedo Bezerra
EXP 1 FIDC-NP
Guidare Fim CP
Hermon Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC-NP) RL
ID 112 FIDC-NP
ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
João Alves de Campos
João Luiz Urbaneja
José Roberto Giancoli Filho
Marcelo de Lima Brasil
Rocha Silva Consultoria e Estruturação (Marcos Serviços de Consultoria Ltda.)
Rodrigo Balassiano
Rodrigo Ruggero
Thiago Rodrigues Urbaneja
Segundo a investigação, os alvos teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira do Banco Digimais. O objetivo seria criar uma aparência de solvência para burlar a fiscalização dos órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
No documento, a PF aponta que o banco controlado por Edir Macedo “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”. Segundo a corporação, a instituição de Daniel Vorcaro implementou um modelo de captação massiva de recursos, atraindo clientes a partir da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno muito superiores às praticadas no mercado.
A representação destaca ainda que tal captação não possuía lastro e sustentou-se na expectativa de cobertura por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra da instituição. De acordo com a PF, isso demonstra que “a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”.
Modelo operativo do Master
O caso do Banco Master é citado no documento, porque, segundo a corporação, contagiou o mercado, funcionou como paradigma para outras instituições financeiras e resume o “modus operandi atualmente sob investigação no Banco Digimais”.
“Aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços, com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”, diz a representação.
A Polícia Federal cita também outros pontos de convergência entre o Digimais e o Master. O documento lembra que, em janeiro de 2025, o ex-sócio e executivo do Banco Master, Maurício Antonio Quadrado, tentou adquirir o Banco Digimais por meio da holding Bluebank. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central devido aos riscos associados.
Além disso, o Digimais alocou cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Banco Master. A PF aponta que a manutenção desses créditos de “origem duvidosa”, somada à captação agressiva de recursos com taxas acima do mercado, sugere a ocorrência de gestão temerária ou fraudulenta por parte da instituição de Edir Macedo.
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